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HISTÓRIA
DE CANINDÉ
ORIGEM DO MUNICÍPIO DE CANINDÉ
Nos meados do século dezoito, Canindé era um aldeamento de índios
vindos dos sertões de Monte-Mor. Não passava, assim de um pequeno
núcleo, lugarejo inexpressivo.
Habitavam, todavia, a vasta região alguns fazendeiros que se estabeleceram
nas cercanias, vindos na sua totalidade das ribeiras do Jaguaribe e cujas
terras lhes foram doadas por sesmarias. Praticavam o pastoreiro e o trato
da gleba.
Em 1775 senta moradia à margem esquerda do rio, situado grande fazenda
de criar, o português Francisco Xavier de Medeiros, homem destemeroso
e já afeito ao árduo labor de povoar regiões desconhecidas.
Prestigiado nas redondezas, Xavier de Medeiros delibera erigir uma capelinha.-Iniciados
os trabalhos com a ajuda dos moradores Vizinhos, O Pequeno templo já
estava em meio, quando, em 1.792, caiu sobre a região uma grande seca.
Os trabalhos da construção foram suspensos e somente tiveram
reinício no ano de 1795. Não desanimando diante da ingente tarefa,
Xavier de Medeiros, depois de um ano de luta, vê terminada a capela
dedicada a São Francisco das Chagas.
Daí por diante , como era natural, com a celebração de
atos religiosos nos grandes dias da Igreja, o lugarejo toma vulto e principia
o arruado em torno da edificação religiosa.
Um fato curioso iria concorrer muito para a prosperidade do novel povoado.
Na operações de reforma da igreja erguida por Francisco Xavier,
tenente-coronel Simão Barbosa Cordeiro e demais fazendeiros vizinhos,
um operário trabalhava na torre despencou-se dali abaixo. Gritando
por São Francisco da Chagas, obteve a graça de ficar preso à
ponta de uma trave, salvando-se de morte certa e horrível.
O fato constituiu-se num autêntico milagre e, célere, correu
mundo afora na boca do povo. Até trovadores surgiram cantando o feito
milagroso. E a fama do santuário penetrou pelos sertões atraindo
milhares de forasteiros de todas as partes que vinham na busca de curas milagrosas.
Iniciado o século dezenove, já eram tradicionais os festejos
do santo franciscano. O povo de Canindé resolve, então, enviar
uma súplica ao Senado da Câmara da Vila de Fortaleza de Nossa
Senhora da Assunção, no sentido de que, sem mais demora, fosse
criada uma freguesia local para atender às necessidades do desenvolvimento
do povoado. Entre outras razões, evocava a da distância à
sede da capitania; e a dificuldade que os cristãos tinham para ouvir
o santo sacrifício da missa; que haviam construído uma igreja
que bem se prestava para matriz e que nenhuma outra região poderia
suavizar a vida dura que levavam no sertão, a não ser a do Patriarca
de Assis.
Atendendo ao que solicitava o povo de Canindé, a Câmara encaminha
devidamente, a quem de direito, a justa súplica, El Rei Dom João
VI, por Alvará datado de 30 de Outubro de 1817, defere a concessão
feita por Dom Frei Antônio de São José, Bispo de Pernambuco,
aos 10 de Junho de 1817, elevando a capela de São Francisco das Chagas
de Canindé à categoria de matriz.
Criada a freguesia, logo foi nomeado o primeiro Vigário, escolha que
recaiu no virtuoso padre Francisco de Paula Barros, que já servia na
capela.
Diante do natural desenvolvimento do povoado, conquistado por Canindé,
com a criação de sua freguesia, o povo já não
se conformava somente com o paroquiato. A aspiração da criação
da vila veio aos 29 de Julho de 1846, pelo Decreto n.340. Governava a província
Inácio Correia de Vasconcelos. A carta de lei está redigida
nos seguinte termos:
"Inácio Correia de Vasconcelos, Presidente da Província
do Ceará. Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléia
Legislativa decretou, e eu sanciono o seguinte:
Art. 1. Fica ereta em Vila a povoação de São Francisco
das Chagas de Canindé.
Art. 2. Os limites deste termo serão os mesmos da freguesia.
Art. 3. Haverá um só tabelião do Público e Notas
que acumulará também o ofício de Escrivão de órfãos.
Art. 4. Ficam revogadas as disposições em contrário.
Mando portanto a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução
do referido Decreto pertencer, que o cumpram e façam cumprir tão
inteiramente como nele se contem. O secretário desta Província
o faça imprimir, publicar e correr."
Um dos fatos mais importantes da formação histórica de
Canindé foi a permanência, durante muitos anos, dos frades capuchinhos
na cidade. Vieram eles da Província de São Carlos de Milão,
por contrato celebrado entre o saudoso Bispo do Ceará, D. Joaquim José
Vieira, e o superior da Missão Lombarda. Chegaram a Canindé
em Setembro de 1898, num grupo de oito, sendo superior Frei David de Dezenzano.
Sucedeu-lhe, meses depois, na direção da comunidade, o grande
Frei Matias que realizou obras notáveis na igreja-matriz, nesta época
já majestosa e importante.
Tendo resignado o cargo de Vigário, sucedeu-lhe Frei Alfredo Martinengo
que atacou, com vontade, a reconstrução monumental do templo,
hoje transformado em Basílica.
Para as obras de reconstrução da Basílica foi contratado
o famoso arquiteto Antonio Mazzini, que realizou obra digna de admiração.
O templo, em verdade, é um dos mais belos do Brasil. As suas duas torres
principais medem 32 metros de altura e são rasgadas por janelas góticas,
trabalhadas em fino estilo toscano, no que faz lembrar as grandes catedrais
da Europa. Apresenta, no seu conjunto, a forma de uma cruz grega e no centro
ergue-se imensa cúpula de 35 metros de altura. A sua inauguração
deu-se, por entre grandes festejos, aos 2 de maio de 1915. Àquela época
foram despendidos, na reforma 250 mil cruzeiros.
Outras obras de vulto foram realizadas pelo capuchinhos, entre os quais valem
ressaltar: Colégio de Santa Clara, Casa Paroquial, ampliação
do Colégio de São Francisco, construção do Monumento
do Centenário, instalação de possante Usina Elétrica,
açude São Paulo e Igreja da Nossa Senhora das Dores.
O povo guarda, com justo motivo de orgulho, os nomes dos capuchinhos Frei
Cirilo, Frei Matias, Frei Marcelino de Milão, grande tribuno, Frei
Alfredo e Frei Silvério, os quais se distinguiram no sentido da outorga
de reais melhoramentos para a cidade de Canindé.
Com a retirada dos capuchinhos, que foram para o Maranhão, vieram para
Canindé os franciscanos menores, tendo à frente a figura encantadora
de Frei Lucas Vonegut. Anos depois, assume o vicariato Frei Policarpo Cornélius.
Em 1928, o grande pinto alemão, Jorge Kau, decorou a Basílica
com lindos painéis que representam os fatos principais da vila de São
Francisco.
Em quadro da divisão administrativa do Brasil, relativo a 1911, Canindé
já com dois distritos- Canindé e Vila de Caridade.
Em 1914, de acordo com a Lei estadual n.1221, datada de 23 de agosto, a vila
de Canindé é elevada à Categoria de cidade.
Em 1920, de acordo com o Recenseamento Geral, o município já
figurava com os seguintes distritos: Canindé, Caiçarinha, Jatobá
e São Gonçalo.
Os Decretos estaduais de números 193, de 20 de maio de 1931,e 1156,
de 4 de dezembro de 1933, mantiveram o município de Canindé,
que, na divisão administrativa referente ao ano de 1933, já
se compunha de oito distritos- Canindé, Belém do Machado, Campos
Belos, Caridade, Campos, General Sampaio, Jatobá e Santana.
Em 1936, Canindé estava assim constituído: Canindé, Belém,
Campos Belos, Caridade, Ipueira dos Targinos, Jatobá e Santana.
Em 1938, o município perdeu Belém que passou a figurar no município
de Quixeramobim e o Decreto-lei 448, do mesmo ano, fixou o novo quadro territorial
do Estado, em que Canindé assim figurava,: Canindé, Campos Belos,
Caridade, jatobá, Saldanha e Targinos. O Decreto-lei n." 1 114,
de 23 de dezembro de 1943, fixou o quadro da divisão territorial do
Estado para vigorar de 1944 a 1948, onde Canindé aparece, da seguinte
maneira- Canindé, Caridade, Inhuporanga (ex-Campos Belos), Paramoti
(ex-Santana), Targinos, Ubiraçu (ex- jatobá)..'
A Lei n.1153, de 22 de novembro de 1951, fixou nova divisão territorial
do Ceará e nela o município de Canindé figura com a seguinte
constituição: Canindé (distrito-sede) Ubiraçu,
Paramoti, Caridade, Inhuporanga e Targinos.
Quanto à formação judiciária, a Lei provincial
número 365, que constituiu o município, criou o termo judiciário
de Canindé.
Em 1873, aos 4 de setembro, foi criada a comarca que recebeu, logo mais, o
termo de Coité. O Decreto estadual n.196, de 5 de junho de 1891, extinguiu
a comarca, que foi restaurada em 1899, pela Lei n. 537, de 3 de agosto. A
Lei n. 1819, de 21 de outubro de 1940, suprimiu-a pela segunda vez, anexando
o termo à comarca de Baturité, situação esta mantida
até 1931.
O Decreto estadual n.1271, de 29 de maio de 1934, desanexou o termo da comarca
de Baturité e o anexou à comarca de Maranguape.
Esta situação perdurou até a promulgação
da Constituição do Estado que, pelo seu Art. 22 do Ato das Disposições
transitórias, restaurou a comarca, A Lei n.213, de 9 de junho de 1948,
confirmou a referida comarca, classificando-a em segunda entrância,
com os distritos de Canindé, Caridade, Inhuporanga, Paramoti, Targinos.
Nas eleições gerais de 1954 foram eleitos- Prefeito.- Raimundo
Barroso Sampaio; Vereadores: Antonio AIves da Silva, Antônio Santiago
de Oliveira Filho, Elizeu Barroso Sampaio, Francisco Magalhães Karam,
Francisco de Paiva Tavares, Guilherme Guedes de Oliveira, José da Silva
Mota, Manuel Carneiro Sampaio e Paulino Ferreira Gomes.
Sobre
o significado do topônimo, transcreve-se de "O Ceará' -
1945 (2.' edição): A palavra Canindé designa uma tribo
de índios missionados, juntamente com os genipapos, em Monte-Mor -
o Novo da América, hoje Baturité, e que primitivamente habitavam
às margens do Banabuiú e do Quixeramobim. Significa uma espécie
de arara, guacamaio formosíssimo, segundo Paulino Nogueira, Re- vista
do Instituto do Ceará, vol. 1.11, pág. 248. Para Martius, vem
de caa mato e ndé teu= teu mato. O Barão de Studart aceita:
canindé, anegrado, retinto (citada Revista vol. 33, pág. 121).
"Paulo Nogueira-, comenta Pompeu Sobrinho, louva-se em Batista Caetano
de Almeida Nogueira (vocabulário). As interpretações
do Barão de Studart e do Martius são bem pouco compreensíveis.
Can, no idioma tupi seria alteração de cama, cam, peito, seio,
papo e elevações de terra que semelham seios; e ndé deve
ser o pronome da segunda pessoa, pessoal e possessivo - ndê ou inê,
tu, o teu. Pode ser que tivesse havido erro tipográfico: em vez de
Can caa , mato. Então teríamos a interpretação
de Martius, que não tem sentido positivo- "teu mato". O nome
aplica-se a um psitacídeo (Ara ararauna); e assim era apelidada uma
grande tribo de tapuias tarairiús, que viviam na região central
do Ceará pelos sertões de Quixadá, Canindé e Alto
Banabuiú, Quixeramobim, etc., O locativo vejo certamente do nome desta
tribo."
* FONTE: Prefeitura Municipal de Canindé (1995)