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ROMARIA
Nos fins do século passado, o português Francisco Xavier de
Medeiros, vindo com uma bandeira dos sertões da Paraiba, estabeleceu-se
á margem do rio Canindé.
Em virtude de explorações feitas naquelas zonas, e pelo direito
de sesmarias, ali transportaram-se mais tarde o comandante Simão
Barbosa Cordeiro; Julião Coelho da Silva, que lançou os fundamentos
da fazenda Longá, e deu nome ao afluente do Canindé que desemboca
um pouco acima da antiga povoação de N. S. da Barra; e Antonio
dos Santos Lessa, tronco da numerosa família Lessa, que se estabeleceu
no sitio denominado Lisboa. Todas essas fazendas empregavam-se na exploração
das terras devolutas e criação de gados.
A ereção da antiga capela de S. Francisco das Chagas data
do ano de 1775, e foi iniciada pelo primeiro donatário das terras
do Canindé, sendo a doação das terras, que constituem
o patrimônio da mesma, feita em 1787 pelo capitão Antonio Alves
Bezerra.
Em 1776, foram suspensos os trabalhos da capela, devido á grande
seca que então assolou a Capitania.
As obras, segundo a tradição, foram concluídas definitivamente
em 1796.
De então para cá, tem sido taes e tantos os reparos e melhoramentos
feitos que, pode-se dizer, já nada mais existe da antiga capela.
Atualmente a matriz de S. Francisco é um belo templo cuja riqueza
e magnificência admiram. Sem possuir as proporções de
Candelária, no Rio de Janeiro e os delineamentos da capela do Coração
de Jesus, na Fortaleza é sem duvida um dos mais belos e majestosos
templos do Brasil.
Filia-se á antiga arquitetura clássica.
Pelo lado externo nada oferece de notável. O interior, porem, denota
a mais severa riqueza; e, ao penetrar-lhe as abobadas sumptuosas, aqueles
que a visitam pela primeira vez, sentem-se possuídos de maior respeito
e admiração.
O primeiro administrador conhecido dos bens e patrimônio da capela
foi a padre João José Vieira, que prestava suas contas na
então vila da Fortaleza perante o procurador geral de capelas, Luiz
Manoel de Moura Cabral. Este sacerdote faleceu em 1812, sendo substituído
por Manoel Mendes da Cruz Guimarães, o qual recebeu das mãos
do antigo comandante Simão Barbosa Cordeiro, alem dos bens pertencentes
a capela, concentra oitavas de prata e quatro e meia de oiro. Em 1819, foi
substituído este administrador por Joaquim Marques Viana.
Por alvará de 30 de Outubro de 1807, passou a capela de São
Francisco a ser matriz colada, sendo nomeado vigário o padre Francisco
de Paula Barros, cuja nomeação foi confirmada pelo bispo de
Pernambuco Dom frei Antonio de S. José Bastos em 1º de Agosto
do citado ano.
Marques Viana foi substituído por Manoel Barbosa Cordeiro, o qual
ficou alcançado para com o padroeiro.
A este administrador sucedeu Manoel Luiz de Magalhães, que gastou
os bens de São Francisco, de 1855 a 1859, sendo afinal condenado
pelo desfalque de 3:832$600 reis.
No ano acima citado teve beneficio do cargo de procurador Manoel Luiz, que
foi substituído em 1868 por Jeronimo José de Almeida Júnior,
o qual ficou alcançado para com os cofres de S. Francisco, sendo
demitido.
Foi então nomeado para o cargo o capitão Manoel Luiz de Magalhães,
procurador da confraria, que geriu com a maior honestidade os bens de São
Francisco.
O padre Luiz de Souza Leitão em seu valioso inédito "Esboço
histórico", cuja leitura tem me orientado na confecção
deste trabalho, diz:
"Em 1887, pelo juiz de direito da comarca foi provisoriamente nomeado
tesoureiro José Jacinto Mendes Machado, que entregou mais tarde a
administração a João Pinto Damaceno, o qual por sua
vez passou-a ao respectivo tesoureiro coronel Antonio Martins Júnior.
Nessa época foi nomeado procurador o senador Clementino Finéas
Jucá, incumbido de administrar os serviços e reparos da matriz,
nos quais com o maior escrúpulo e honestidade despendeu-se a quantia
de 40 contos de reis.
Todos os anos o tesoureiro e o procurador prestavam contas, apresentando
saldos a favor do cofre.
De 20 de Setembro de 1891 a 11 de Outubro de 1892 as contas da confraria
de São Francisco foram prestadas perante a autoridade diocesana,
sendo então procurador e tesoureiro Antonio Xavier Macambira e José
Rabelo Cordeiro.
De 1892 a 1893 o tesoureiro José Rabelo Cordeiro da Cruz prestou
conta oferecendo um saldo de 19:176$422 reis.
Em 1893 e 1894 exerceu o cargo de tesoureiro João Pinto Damaceno,
o qual incluído o saldo anterior apresentou o de 71:000$000 reis.
De 1894 a 1895 o tesoureiro José Rabelo Cordeiro da Cruz apresentou
contas perante a cúpula episcopal, mostrando a receita de 93:075$560
reis e a despesa de 63:692$659 reis.
Em 1896, o bispo diocesano, no sentido de melhor amparar os bens, fortuna
e patrimônio de São Francisco, e na qualidade de chefe supremo
da Igreja no estado, nomeou uma comissão efetiva para gerir ditos
bens e patrimônio, a qual se compõe do vigário de Canindé
padre Manoel Cordeiro da Cruz, do capelão Luiz de Souza Leitão
e de um tesoureiro honestíssimo, os quais exercem as suas funções
regulamentares, e emanadas do paço episcopal.
Existiam em Canindé três irmandade; a do Sacramento, criada
pelo gestor geral, cônego Antonio Gomes Coelho a 1819; a de N. S.
das Dores, instalada a 1º de Janeiro de 17 e a de São Francisco,
instituída para promover as festas do padroeiro, em 1821. Esta ultima
irmandade foi abolida por ato do paço episcopal de 6 de Agosto de
1897.
O INÍCIO
O Movimento de romeiros, que se tem estabelecido em torno da capela de São
Francisco, data da fundação da mesma nos fins do século
18. Já no começo deste século era grande o numero dos
que se dirigiam aquelas paragens; assim o atestam as tradições
que nos foram transmitidas pelos nossos avós.
Referem os antigos que, quando se deu começo as obras da capela, um
pedreiro que trabalhava no alto da torre, dali desprendeu-se casualmente.
Gritando por São Francisco das Chagas, ficou suspenso do ar, preso
pela camisa a extremidade de um andaime, donde foi retirado são e salvo,
recomeçando a trabalhar.
Conta-se mais que, quando o português Xavier de Medeiros deu começo
a ereção da capela, o terreno escolhido para este fim pertencia
a três proprietários. Sucedeu, porém que, depois de iniciadas
as obras, aqueles negaram-se a ceder o terreno. E logo um deles caiu gravemente
doente, falecendo poucos dias depois. Igual sorte teve o segundo. O terceiro
e ultimo sentindo-se também doente, fez votos a São Francisco,
de não mais pôr obstáculos a edificação
de seu templo, e assim conseguiu restabelecer-se imediatamente.
Estes fatos, e outros não menos significativos, fizeram, ao que parece,
nascer a confiança do povo de dai deriva naturalmente a corrente religiosa,
que tem aumentado progressivamente através do século.
O movimento de fiéis realiza-se em todas as épocas do ano especialmente
no mês de Outubro, que é consagrado a festa do Patriarca.
Essas peregrinações partem de todos os pontos do estado, sendo
engrossadas pelas correntes que descem do Amazonas, Rio Grande do Norte, Paraíba,
Pernambuco, Piauí, Sergipe, Pará, Maranhão e Bahia.
Nas proximidades da festa e durante a festa as estradas e as ruas principais
de Canindé tornam-se intransitáveis, tal é o numero de
romeiros que afluem de toda a parte! Estes, semelhantes aos emigrantes no
tempo da seca, formam verdadeiros cordões movediços, que se
agitam interminavelmente ao longo dos caminhos. Entre os peregrinos tem se
visto estrangeiros que, atraídos pela fé por curiosidade, têm
vindo de países longínquos e remotos.
Em 30 de novembro
de 1925 o Papa Pio XI elevou o Santuário de São Francisco de
Canindé ao título e dignidade de Basílica Menor.
PATRIMÔNIO RELIGIOSO DE CANINDÉ
O
patrimônio religioso de Canindé compõe-se de duas igrejas:
a Basílica de São
Francisco e a igreja
de Nossa Senhora das Dores. Além desses dois
templos há a igreja do Monte,
que corresponde a última estação da via
sacra; a Casa
dos Milagres, onde estão guardados os ex-votos;
o museu,
o Convento de Santo Antonio
e o Mosteiro
do Santíssimo Sacramento - Convento
das Irmãs Clarissas, que no conjunto, empresta
a cidade um estilo simbólico próprio.
A cidade está envolta de uma aura religiosa onde
tudo, a qualquer momento, pode se tornar objeto de culto como: a Gruta
de Água Milagrosa com a imagem de Nossa
Senhora de Lourdes e a Praça
dos Romeiros com capacidade para mais de 100 mil pessoas
onde são celebrados os atos religiosos em época de romaria.